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BRICS+ e as Cidades: um novo capítulo para o Sul Global

10 de jun. de 2025
2 min de leitura

A urbanização acelerada não é mais uma tendência — é uma realidade consolidada.


Com dois terços da população mundial previstos para viver em cidades até 2050, segundo estimativas da ONU, os centros urbanos tornaram-se os epicentros dos desafios globais. É nas cidades que se concentram os efeitos mais intensos da mudança climática, da desigualdade social e da pressão por infraestrutura e serviços. Nesse cenário, a atuação dos BRICS+ passa a ganhar um novo contorno: o protagonismo municipal.


Maricá e a diplomacia descentralizada

Um marco simbólico dessa nova fase foi a realização da primeira Assembleia de Municípios dos BRICS+, em Maricá, no estado do Rio de Janeiro. A escolha não foi aleatória: Maricá se projeta como um laboratório de políticas públicas inovadoras no Brasil, e o evento consolidou sua vocação diplomática. O encontro reforçou a necessidade de articular as cidades diretamente na arena internacional, algo que tradicionalmente ficava restrito aos governos centrais.


A criação da Associação de Cidades e Municípios dos BRICS+


Em junho de 2024, durante o Fórum de Cidades BRICS+ em Kazan, na Rússia, nasceu a Associação de Cidades e Municípios dos BRICS+. A proposta? Ampliar a cooperação técnica, compartilhar experiências e garantir que os municípios tenham acesso direto a fontes diversificadas de financiamento internacional — algo crucial para projetos de adaptação climática e desenvolvimento urbano sustentável.


Essa associação é composta por municípios dos países-membros (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e das nações associadas ao formato “BRICS+”, como Irã, Egito e Etiópia. Trata-se de um esforço de institucionalização de um novo multilateralismo urbano, no qual prefeitos e governos locais têm protagonismo no desenho de soluções globais.


Por que isso importa?

O reconhecimento das cidades como atores-chave na política internacional não é apenas simbólico. Ele traz implicações práticas:

  • Capilaridade institucional: municípios podem responder de forma mais ágil e eficaz a desafios locais que têm causas ou repercussões globais.

  • Acesso a financiamento: com canais próprios, cidades podem pleitear recursos para obras de infraestrutura resiliente, mobilidade urbana e energia limpa.

  • Cooperação horizontal: experiências bem-sucedidas em uma cidade do Sul Global podem ser adaptadas em outras, criando redes reais de aprendizado mútuo.



O futuro do BRICS+ passa pelas cidades


O fortalecimento das redes municipais dentro do BRICS+ amplia a densidade política do bloco. A atuação conjunta de cidades como Mumbai, Xangai, Joanesburgo, São Paulo e Cairo em fóruns próprios sinaliza a construção de uma nova arquitetura internacional onde o local e o global se entrelaçam.

Mais do que nunca, os desafios do século XXI exigem soluções multilaterais — mas com raízes locais. E as cidades do BRICS+ estão prontas para assumir esse papel.


 
 
 

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